Completei mês passado 22 anos. Parecia que eu nunca ia chegar aqui, mas agora que cheguei gostaria de poder voltar. Os anos correram e eu ainda tenho tanta coisa pra fazer… Viajar a Europa e conhecer o Museu do Louvre, com certeza farei antes de morrer. Aliás, acho até que deveria ser um compromisso na vida das pessoas. Qual é a graça de ficar preso nesse mundinho de trabalho e Rio de Janeiro? Certa hora esgota. E cansa. Precisamos dar Bonjour aos franceses egoístas, que após milênios estão aprendendo que, tal rispidez com que eles tratam os turistas, os afastam rigorosamente de seu país, consequentemente do capital gerado nele. De repente agora eles se animem a começar a tomar mais de um banho por semana.
A faculdade que era para ser finalizada em 4 anos, foi adiada para 5 e um período solto. Culpa só minha. Ninguém mandou matar aulas para ir ao shopping ou inventar photoshoots no estúdio. Nem mesmo para ficar esperando o namorado, enquanto escrevia poesias pra ele, só para caminhar de mãos dadas até o ponto de ônibus. Lembro-me que num desses dias, eu fui comprar o chocolate que ele mais gostava, só para combinar com o poeminha, intitulado Doces Instantes: “Do meu amor/ Preciso falar–lhe/ Ora representar com simples gestos/ Ora declamar com lindas palavras/ Que o “para sempre”/ É o nosso eterno/ Mesmo que o infinito/ A nós, não pertença”. Apaixonada e irresponsável.
A minha família é conservadora. Meus pais se casaram após oito anos de namoro. Minha avó e meu avô estão juntos há 51 anos, sem interrupções. Superação, não? E eu, a terceira geração, desde os anos 20, estou namorando há 10 meses. É melhor ir com calma para poder seguir os passos das gerações passadas. Mas alguma coisa eu devo envergonhar. Não sou nem um pouco tradicional, como elas. Já fiz muitas besteiras, já bebi e caí muitas vezes, já perdi os limites, já fui reprovada, mas não me arrependo de nenhuma nota vermelha e nem das 7 doses de tequila. Se eu não tivesse aproveitado tanto, não teria tanta história pra contar hoje e talvez nem teria conhecido o Leonardo, que hoje é meu companheiro de todas as bebedeiras e reprovações.
