Odeio

Setembro 1, 2009

Odeio gente chata
Odeio cheiro de peixe
Odeio acordar cedo no sábado
Odeio acordar cedo.

Odeio salto fino
Odeio cortina de seda
Odeio vestido de seda
Odeio a seda, como um todo.

Odeio carnaval de cidade grande
Odeio festa lotada
Odeio gente que empurra
Odeio o ópio da cultura oriental
Odeio a falta de crença da cultura ocidental.

Odeio falar de política
Odeio ter que escrever sobre ela
Odeio a maioria dos homens do poder
Odeio a ignorância deles e a falta de vergonha na cara
Odeio publicitário que se acha jornalista.

Pronto. Falei.

Anúncios

Por trás daquela imagem

Agosto 28, 2009

Completei mês passado 22 anos.  Parecia que eu nunca ia chegar aqui, mas agora que cheguei gostaria de poder voltar. Os anos correram e eu ainda tenho tanta coisa pra fazer…  Viajar a Europa e conhecer o Museu do Louvre, com certeza farei antes de morrer. Aliás, acho até que deveria ser um compromisso na vida das pessoas. Qual é a graça de ficar preso nesse mundinho de trabalho e Rio de Janeiro? Certa hora esgota. E cansa. Precisamos dar Bonjour aos franceses egoístas, que após milênios estão aprendendo que, tal rispidez com que eles tratam os turistas, os afastam rigorosamente de seu país, consequentemente do capital gerado nele. De repente agora eles se animem a começar a tomar mais de um banho por semana.

A faculdade que era para ser finalizada em 4 anos, foi adiada para 5 e um período solto. Culpa só minha. Ninguém mandou matar aulas para ir ao shopping ou inventar photoshoots no estúdio. Nem mesmo para ficar esperando o namorado, enquanto escrevia poesias pra ele, só para caminhar de mãos dadas até o ponto de ônibus. Lembro-me que num desses dias, eu fui comprar o chocolate que ele mais gostava, só para combinar com o poeminha, intitulado Doces Instantes: “Do meu amor/ Preciso falar–lhe/ Ora representar com simples gestos/ Ora declamar com lindas palavras/ Que o “para sempre”/ É o nosso eterno/ Mesmo que o infinito/ A nós, não pertença”. Apaixonada e irresponsável.

A minha família é conservadora. Meus pais se casaram após oito anos de namoro. Minha avó e meu avô estão juntos há 51 anos, sem interrupções. Superação, não? E eu, a terceira geração, desde os anos 20, estou namorando há 10 meses. É melhor ir com calma para poder seguir os passos das gerações passadas. Mas alguma coisa eu devo envergonhar. Não sou nem um pouco tradicional, como elas. Já fiz muitas besteiras, já bebi e caí muitas vezes, já perdi os limites, já fui reprovada, mas não me arrependo de nenhuma nota vermelha e nem das 7 doses de tequila. Se eu não tivesse aproveitado tanto, não teria tanta história pra contar hoje e talvez nem teria conhecido o Leonardo, que hoje é meu companheiro de todas as bebedeiras e reprovações.

IMG_5455-mod

Blog novo no ar!

Julho 2, 2009

Sabe aquelas coisas que você não usa mais e estavam só fazendo volume no seu guarda-roupas? Reúna todas elas e coloque num Blog. Foi isso que eu fiz. Entre Bolsas e acessórios, vendo meus pertences que foram pouco utilizados. Para conferir, acesse nao-quero-mais.

Print bazar 1

Print bazar 2

Amor… Muito amor!

Junho 12, 2009

Comemorando o Dia dos Namorados em alto estilo, a Imaginarium criou a promoção “Meu Doce Desejo”. Para os casais apaixonados que quiserem participar, basta fazer um vídeo com uma declaração de amor para o seu namorado(a), publicá-lo no Youtube e inscrever-se no site da Promoção.

Eu já fiz um para o meu Leonardo. Quem quiser assistir, basta acessar através do link Doces Instantes. Se gostarem, votem também!

Doces Instantes

Junho 5, 2009

Sonhei, um dia desses, com um parente que nem conheci. Ele faleceu muito antes de eu nascer, mas as imagens pareciam muito claras. Era como se eu tivesse convivido, na mesma época, nos seus oito anos de vida.

Então, liguei pra minha mãe para saber mais informações sobre sua morte. Mamãe era irmã dele. Me contou que Gustavo falecera de insuficiência respiratória. “Ele possuía um buraco no coração. Ao invés de duas, eram três válvulas que bombeavam o sangue para o coração, isso fazia misturar o sangue venoso com o arterial”, contou. Fiquei em estado de choque. Escrevi:

Ele tinha um coração puro
E debilitado de paixões.

Continuei perguntando mais. Ela ficou curiosa por meu interesse tanto tempo depois. Expliquei o meu sonho a ela. Chorou. Disse que pode ser alguma coisa de outras vidas, afinal a única imagem que tinha dele era uma foto 3×4 preto-e-branca-amarelada quase se desfazendo. Escrevi:

Morreu dormindo
num sono leve e passageiro.
Tudo que sofreu na vida
a morte lhe poupou.

Noites de insônia
Aniversários que não comemorou
Livros que não leu
Amigos que não fez
Mas foi muito amado.
Pela mãe que lhe concebeu
Especial e Diferente
e o pai que lhe deu o braço.
no futebol que não jogou
e no destino que já estava traçado.

Não sou a primeira. O meu padrinho, outro irmão dele, teve uma sequência de sonhos quando descobriu que sua esposa estava grávida. Sonhou, inclusive, que Gustavo saía da barriga dela. Quando descobriu que era menina, ficou mais tranquilo. Se chamaria Lívia. Os sonhos cessaram, mas Lívia nasceu com pequenas deficiências físicas e o meu tio nunca deixou de pensar que tinha um pouquinho de Gustavo nela.

Ele tinha uma doença chamada Síndrome de Down.

1133908316_f

Foto ilustrativa de Fernanda Falcão

Reflexos

Junho 4, 2009

Tenho ouvido muito Maria Bethânia nas últimas semanas. Ela me faz querer ser mais brava, mais forte, somente pelo seu tom de voz que impõe uma postura ativa e decidida. As letras, que ela não compõe, me fazem pensar: por que não fui eu quem escreveu isso? É tão belo e tão simples, como os meus textos embriagados de paixão. Ela me dá inspiração. Vontade de escrever para o meu amor. Aquele homem que embala os meus dias, as minhas noites e madrugadas. O homem que chega com cheiro de perfume novo e desejo de beijos molhados. Ah, o meu homem… Eu já escrevi tantos versos sobre ele e sempre surge mais algum. Até já o descrevi como anjo sem padrões. Mas o que me dá estímulo e continuidade é o jeito como ele me faz sentir amada. Não só isso. Mas o jeito dele acordar, me beijando e chamando para partilhar d’um café-da-manhã; o jeito como ele me envolve em seus braços nas noites de sono compartilhadas; do jeito como ele implica com as minhas extravagâncias; do jeito como ele me aperta, tão forte; do jeito como ele me beija, envergonhado, em público; de todo o jeito que me faz amar e amar ainda mais. Obrigada, Bethânia. Pelas músicas gravadas, pela emoção com que embala uma nota, uma partitura e, desde já, agredeço pelas minhas futuras poesias.

Fernanda Falcão
04/06/09

IMG_5516
Leia também:
Ah…

Doces Instantes – Parte III
Ele – Parte II
A ele

Profissão do dia: Segurador de mega-fone

Abril 27, 2009

A gente reclama da vida, da exploração na profissão, remuneração e carga horária, mas sem saber que tem muita coisa pior nessa vida. Esse senhor, cujo nome eu não tive oportunidade de perguntar, trabalha há mais de quatro anos como Segurador de mega-fone na Praça XV, Centro do Rio de Janeiro. Ele fica sempre na sombra, em baixo de uma árvore, segurando um mega-fone que diz: “Senhores passageiros, a 50 metros à sua esquerda, existe um ponto de táxi com saída fácil para Zona Sul, Zona Norte, Centro e Zona Oeste. Boa viagem!”

Quando chove, ele tem um guarda-chuva a mão. Para os dias de calor, uma toalhinha que fica presa a cintura da calça jeans. Esse é muito guerreiro!

segurador-de-mega-fone1

Leia também:
Provadora de comida de cahorro
Testadora de odores

Mensagem de sexta-feira

Abril 3, 2009

Hoje estou de partida. Talvez um dia eu volte. Não para pegar as minhas coisas, mas para ver pessoas amadas e para colher as sementes plantadas no pé da memória.  Muitas vezes os frutos apodrecem e viram alimento de insetos.  Muitos outros, duram bastante, tempo necessário para um amor, uma vitória, uma nova e eterna amizade.  E desses vou desfrutar nos próximos  dias. Um deles é amor de amor, de paixão, de beijo, abraço, coração… Os outros são amores de amores, belas amizades semeadas nesses 21 anos de história.

Em defesa da classe!

Março 30, 2009

fenaj-flyer-eletronico-jornalista-so-com-diploma-2009-2

Acabou o milho, mas não a Pipoca

Março 26, 2009

Vai entender…

cabecalho-blog-antigo

A história do nome desse Blog, cujo tempo de leitura está sendo gasto por vocês e conseqüentemente o dinheiro, é bem aleatória, assim como a decisão de criar um. A gente entra na página de alguém e lê coisas tão estimulantes e criativas como: “Sempre quis saber como era a Puta que o pariu. Deve parecer com o Rio. Pelo menos é a impressão que eu tenho.” e dá aquela vontade de escrever loucamente sobre as outras palavras de baixo calão que envolvam mães. Tudo bem que já o faço como jornalista, quase nunca do jeito que me dá vontade e sim o que me é mandado. Não me interpretem mal, não é nenhum tipo de reivindicação em relação a profissão, mas fico imaginando as expressões nos rostos das pessoas no dia em que eu publicar um dos meus textos feministas na home de algum veículo de comunicação… Talvez a guilhotina seja meu destino final ou qualquer uma dessas torturas em praça pública.

Voltando ao milho, esqueci de me apresentar. Me chamo Fefa, porque é assim que as pessoas me abordam na rua, no telefone, na faculdade e muita gente já nem sabe qual o nome que carrego na identidade (não, não é Fefolina, Fefátima ou qualquer bizarrice do tipo). No estágio, o apelido também pegou e assim um, nenhum, ou outro me chamava de Fernanda, o que soava esquisito. Aquele velho papo de que quando a mãe resolve gritar todas as letras que compõem o seu nome você já pode deitar em posição letal e rezar para que a vida dure por mais uma semana, pelo menos para não perder aquela festa onde todo mundo do seu meio social vai estar. Drama? Não, é só um desespero(zinho) de não estar a par de todos os acontecimentos do final-de-semana, que vão durar comentários de um mês, talvez até dois.

Aonde eu estava mesmo? Ah, no milho. Bom, tenho muitos amigos em Minas, isso não tem a ver com milho, mas faz parte da estória que estou tentando contar e que toda hora desvio o rumo. Enfim, um dia conheci o Thiaguinho, um inho que era quase inha. Um ão que era quase ona e por mais um segundo na barriga da mãe, nascia moça. Uma figura de chorar de rir. Estávamos na praça (aliás, por que toda cidade de interior tem uma praça?) e ele veio correndo na minha direção. Não estava entendendo nada, mas sorri, como quem diz: quem é esse louco? E ele/ela continuou se aproximando até que já bem perto, articulou: Você que é a famosa Pepa? Um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça: Será que erraram meu nome? Será que perdi o meu sagrado, e não imitado, nome que Cazuza tinha protegido em um codinome beija-flor? Na hora só me veio à cabeça responder: não, é Fefa. Alívio momentâneo. Logo em seguida, ouvi palavras que ecoavam: Ah, é porque eu conheço um tal de Pepo, Pepa… E eu me perguntei: Como?

Comer, na primeira pessoa do singular, me lembra Pipoca. Agora, eu possuía três signos: o verdadeiro, o costumeiro e o inventado. A partir daí que surgiu a história da Pipoca, quando conheci o gênio Luiz Felipe, estudante de Cinema da UFF (ou Ofo, como quiserem). Nós saímos para beber certo dia, numa manhã de sol estilo Joseph Climber, e comecei a contá-lo a história do “Pepa”. Ele soltou belas risadas e completou: Pepa, você é Pipoca porque é um estouro. Pronto, falei! E sem mais delongas, eis que surgiu: Acabou o milho, mas não a Pipoca, contrapondo-se ao famoso: “Acabou o milho, acabou a pipoca”, pois essa que vos fala não morreu na guilhotina ou queimada, por ainda não ter publicado nenhum de seus textos feministas, ainda.

03.03.08